Moção sobre incêndio a estátua do Borba Gato gera polêmica na Câmara de Osasco

Discussão do documento proposto pelo vereador Emerson Osasco motivou debate e até acusações de racismo entre os parlamentares em sessão desta terça-feira (17)
Câmara Municipal de Osasco teve sessão acalorada nesta terça-feira (17) (Divulgação/Reprodução Facebook)

A sessão da Câmara de Osasco desta terça-feira (17) foi marcada por uma grande discussão envolvendo a Moção nº 317/2021, do vereador Emerson Osasco (Rede), ao entregador de aplicativo, Paulo Galo, que assumiu ser o responsável por atear fogo na estátua do Borba Gato, no dia 24 de julho, zona sul da capital. Durante o debate, o clima entre o autor da moção e os vereadores Delbio Teruel (DEM) e Juliana da Ativoz (PSOL) ficou tão quente, que os parlamentares chegaram a se acusar de racismo na tribuna da Câmara e a sessão foi suspensa por cinco minutos para que o texto do documento fosse adequado para ser votado.

A discussão começou quando o vereador Delbio Teruel, frisou que votaria contra a moção, pois acredita que a forma escolhida de manifestação pelo entregador é um ato de vandalismo. "A atitude de colocar fogo em um patrimônio público para gerar uma discussão com relação a qualquer outro assunto anterior, é uma violência desnecessária. Acho que ele tem que responder e ser punido por isto, pois, se ele quer abrir alguma discussão, o correto era ir até a Câmara Municipal fazer um movimento pacífico e não entendo que a atitude dele foi coerente. Essa questão de colocar fogo passou dos limites. Faça um movimento, vá a Câmara, faça uma reunião com autoridades e que se tomasse uma decisão do poder público retirar a estátua. Não posso concordar com ato de vandalismo", disse o parlamentar.

Já o autor do documento, o vereador Emerson Osasco explicou que a moção não tem relação com o incêndio, mas sim, com a prisão e a forma como o entregador foi tratado após a manifestação contra a estátua do Borba Gato. "Entendo sua falta de conseguir entender esse motivo, pois dentro do seu privilégio branco, o senhor nunca viu a história de uma pessoa que se coloca como mercador. Ali não é só pedra é história de uma pessoa que ganhou a vida vendendo corpos, estuprando pessoas e matando negros e indígenas. O senhor nunca vai entender, pois o senhor é branco e nunca teve que explicar para um policial que o bem que você tem é seu mesmo. A narrativa do racista é dizer que isso não existe", disparou.

A vereadora Juliana da Ativoz (PSOL) também defendeu a retirada de estátuas que prestem homenagem a pessoas que tenham cometido atos de violência ou racismo e repudiou o posicionamento do vereador Delbio Teruel. "Causa-me muita angústia o privilégio branco dizer que entende a dor do outro. Ainda bem que Paulo foi solto. Eu não só colocaria fogo, mas também derrubaria aquela estátua. É triste usar a tribuna para defender o obvio, pois tem a ver com a minha história e da minha mãe, isto é um ato racista. Delbio Teruel é melhor rever sua historia de racismo", disse a vereador.

Inconformado, o vereador Delbio Teruel condenou as palavras da parlamentar. "Não diga que este vereador é racista, a senhora está sendo inconsequente. Disse apenas que não concordo com a forma escolhida pelo rapaz para se manifestar contra um tema. Não sou racista. E estou aqui para ajudar a criar um movimento para retirarmos essas estátuas da cidade de São Paulo, em Osasco e em outras cidades", enfatizou.

Apaziguadores
Para apaziguar a situação, os vereadores Rogério Santos e Ana Paula Rossi, ambos do PL, defenderam que o texto da moção precisava ser mais explicativo. "Concordo que aquela estátua não deveria estar ali. Essa questão do racismo e do preconceito é uma questão onde ainda estamos engatinhando. Essa é uma pauta tão importante e essa Casa tem um papel fundamental nessa discussão. Mas, acho que a moção não está bem explicativa. Também discordo que seja a forma correta, entendo que foi uma forma de chamar atenção e levantar a discussão, mas foi um ato de vandalismo ao colocar fogo em um patrimônio a gente acaba incentivando o vandalismo", disse.

"Acho que podemos verificar uma forma de ajustar, pois, todos nós somos contra a prisão de forma desnecessária. Então, se fizermos o ajuste e mudar a moção para repúdio a prisão do entregar, com certeza todos vão aprovar", defendeu o vereador Rogério Santos

Com os ajustes no texto e o término das discussões, a moção foi aprovada pelos vereadores da Câmara. 

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Terça, 07 Dezembro 2021

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