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Artistas levam obras para o Louvre e buscam mudar o mundo com látex

Rosi de Araújo e Daosha têm suas origens em povos indígenas e lutam para manter a ancestralidade.

De origem indígena de tribo do Kariri, Ceará, Rosi de Araújo, moradora de Cotia, é umas das mais de 100 artistas do País a ter suas obras levadas para o Museu do Louvre, em Paris, e também para Helsinque, capital da Finlândia, pelo Ava Art Festival.

Sem lançar mão dos seus antepassados, a artista plástica (ativista dos direitos indígenas, educação e meio ambiente) vive em uma casa que a remete à floresta Amazônica. Ela expressa sua percepção do mundo através de obras que conectam as culturas indígena e brasileira.

Com DNA do Kariri, Rosi assina e imprime a seus trabalhos a influência indígena que a faz criar um ambiente de transformação das artes em instrumentos do ativismo e resistência para a construção de um ambiente por inteiro. "Utilizo materiais alternativos, pigmentos naturais, minerais, argilas, areias, urucum, carvão, óleo de coco e jenipapo, para uma prática de arte sustentável. Isso norteia a minha arte", diz a artista ao Giro S/A.

 Alma e inspiração dos povos indígenas

​Nessa semana a reportagem do Giro S/A teve acesso a pessoas que trazem em sua própria formação uma qualidade natural que vem da floresta. Rosemeire Cassiano Albuquerque Pereira, ou Daosha Pássaro Alegre, nome de batismo, juntamente com uma comunidade indígena de Cotia, produz calçados ecológicos com látex extraído por eles diretamente das seringueiras.

"Nossos calçados estão ainda em escala de pequena produção, pois é totalmente artesanal e muitas vezes depende da situação climática para colher o látex", afirma Daosha, que está à frente do projeto Ararinha, que visa englobar mulheres e ribeirinhas da região da Amazônia que tenham seringueiras em suas regiões.

"Acredito ser um novo momento da volta da borracha, da volta dos seringueiros e de uma nova fonte de renda para as famílias, sem a necessidade de devastar a floresta para criação de gado ou de soja", conta.

"A floresta motiva a minha criação. Criar calçados a partir do leite da Seringueira (látex) é algo incrível. A terra, as folhas, os pássaros, as flores e frutos são principais inspirações. O tingimento natural é um resgate da técnica ancestral que nos aproxima do meio ambiente e pode ser uma das alternativas para um futuro menos poluente na indústria calçadistas que são umas das principais agressoras do meio ambiente devido a grande sobra de resíduos de origem petroquímica, após acabamento dos calçados.

A linha de bordado natural também é um resgate ancestral indígena, utilizado até hoje para o feitio de corda para fazer arco, amarrar flecha , amarrar as palhas da casa e isso me moveu para utilizar nos calçados tanto para durabilidade do produto quanto para embelezar através de linhas tiradas a partir do tucum e do buriti.

A sola foi uma experiência que deu muito certo , onde utilizamos látex com pó de serra, que resulta em um solado extremamente resistente, confortável e muito charmoso. Um grande poder de sedução agregado às sandálias femininas são as preciosas sementes (açaí, patauá, buriti, jarina) que são essencialmente ligadas à corporalidade, aspecto central na constituição da identidade entre os Povos tradicionais. E estas sementes, linhas de palha, aliadas as folhas de FSA tingidas naturalmente dāo estilo e vida a coleção de sandálias sustentáveis e totalmente orgânicas que além de preservar o ecossistema , promove a interação de saberes ancestrais étnicos e mantém a floresta em pé."

Relato de Daosha Pássaro Alegre para o Giro S/A

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