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"Meu Amigo Fela" é cru e mostra o lado inimaginável do músico nigeriano Fela Kuti

Documentário sobre o músico nigeriano é dirigido por Joel Zito Araújo.

Era noite em São Paulo quando fomos levados direto para "Meu Amigo Fela", documentário dirigido pelo brasileiro Joel Zito Araújo que, com a assinatura de entrevistas feitas pelo cubano Carlos Moore, revela um lado que meros ouvintes da música do nigeriano Fela Kuti não poderiam imaginar.

Joel Zito Araújo, assina a direção e roteiro do documentário "Meu Amigo Fela" (Foto: Tânia Rego/Agência Brasil).

Uma das minhas críticas mais contundentes sobre raízes africanas foi quem sugeriu o longa-metragem de Joel Zito Araújo, que não se trata da história musical de Fela Kuti, claro que passa por ela, do contrário não poderia existir a grande conexão entre sua posição como artista e aquilo no que ele teria se transformado, segundo depoimentos de pessoas que conviveram ao lado deste músico virtuoso, que aprendeu a ser africano com Maya Angelou, escritora e poetisa norte-americana. É com ela que Carlos Morre se comove em uma das entrevistas mais cheias de detalhes sobre Fela Kuti. 

A obra de Joel Zito Araújo, em cartaz no Instituto Moreira Sales (Avenida Paulista) e Espaço Itaú Unibanco (Frei Caneca) não é romântica e quebra toda a ordem lógica esperada por quem imagina que ouvirá uma discografia africana permeada pelo afrobeat impresso por Fela Kuti e sua banda por onde passaram na Nigéria ou nas turnês em países europeus e Estados Unidos.

Um homem preso inúmeras vezes em seu país e resistente contra o sistema político de sua época não se eximia de mostrar para as câmeras o que carregava sobre sua pele, as marcas de luta e de dor. 

Só existiam duas mulheres a quem Fela Kuti se rendia, e no documentário isso está bem claro na narração de Carlos Morre e no discurso do próprio músico. Uma delas, sua mãe, era uma revolucionária respeitada e isso o movia, principalmente pelo legado deixado, sendo umas das primeiras referências na luta em defesa do feminismo no mundo. 

Fela Kuti poderia, de fato ter seguido outros caminhos, mas preferiu aguardar por sua morte e resistir sendo o homem africano que lhe foi apresentado. Também deixou uma herança musical, mas fatos desconhecidos do público comum ainda devem pairar na mente de pessoas que as guardam enquanto vivem.

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