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Crítica de Cinema - Downton Abbey

Uma análise feita pelo Daniel Reininger do Cineclick 

Para os fãs de Downton Abbey, nostálgicos desde o fim da série, esse filme é um presente incrível. É realmente demais ver esses personagens de volta e, diferente de El-Camino - A Breaking Bad Movie, esse longa não foi criado para mostrar o óbvio fim que tomaram aqueles personagens, mas sim prestar uma homenagem aos fãs e contar uma nova história nesse castelo tão amado.

O ano é 1927 e a família Crawley recebe os convidados mais importante do Reino Unido: o rei George V e a rainha Mary, o que mexe tanto com os servos quanto com os membros da aristocracia da casa, enquanto todos se preparam para a visita real.

O criador e roteirista Jullian Fellowes não tenta mudar a fórmula de Downton e, por isso, o filme parece um especial de natal da série ou um episódio de duas horas com estética cinematográfica, com bastante tempo para longas vistas panorâmicas dos belos jardins de Downton. Ao lado de John Lunn, cujas músicas evocam ar de grandeza, esta aventura é uma continuação adequada para a série de TV.

Um dos aspectos mais atraentes da série sempre foi como ela dá peso igual à história de todos os personagens, independentemente da posição social. E todos tem espaço para brilhar. O arco mais interessante, porém, é o de Thomas Barrow (Robert James-Collier), afinal sua orientação sexual não permite que ele se expresse livremente e, para piorar, ele é forçado a desistir de seus deveres de mordomo depois que Lady Mary (Michelle Dockery) o substitui pelo aposentado Charles Carson (Jim Carter), o qual ela acredita estar melhor preparado para arrumar a casa a tempo da chegada do rei e da rainha.

E claro, Violet Crawley, interpretada de forma magnífica por Maggie Smith, mais uma vez rouba a cena. No filme ela é tão maravilhosa quanto no seriado, mas dessa vez está um pouco mais vulnerável e deve arrancar lágrimas de muita gente. A nova integrante do elenco, Imelda Staunton (a Dolores Umbridge, de Harry Potter), aparece como Lady Bagshaw - uma das primas de Violet. Ela se mostra uma adversária digna, capaz de enfrentar a Condessa de Grantham de igual para igual e garante ótimas cenas.

O lado cômico da série começa a rolar para valer quando os membros da família real chegam à Downton. Ver a equipe da casa fazer de tudo para ofuscar os servos reais que vieram na comitiva oficial, inclusive com a criação de planos mirabolantes, garante alguns momentos bastante divertidos.

Só que, perto do final, o longa exagera no fan service e força a mão para que todos os personagens tenham finais adequados. O problema, além dos clichês e exageros do roteiro, é que isso alonga demais o filme, o qual começa a ficar cansativo. Valia uma edição melhor aí e, para ser sincero, não era necessário.

Downton Abbey serve como um novo capítulo e, ao mesmo tempo, um final adequado para uma das famílias mais memoráveis da TV. O longa é definitivamente feito para os fãs de longa data, então deve deixar os novatos um pouco alienados (aconselho assitir a série antes de ir ao cinema, se possível), mas, para quem acompanhou o programa, é um grande prazer retornar a essa casa cheia de vida. E digo com tranquilidade: seria ótimo ver novos episódios cinematográficos estrelados por esses personagens. Quem sabe...

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