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Crítica de Cinema: A Maldição da Chorona

​Opinião do parceiro Cineclick sobre o lançamento da semana 
lenda conta que, em vida, La Llorona afogou seus filhos e depois se jogou no rio, se debulhando em lágrimas - Foto: Divulgação

Como uma boa fã de terror, me empolguei absurdamente para conferir A Maldição Da Chorona, novo longa do universo de Invocação Do Mal produzido pelos grandes James Wan e Gary Dauberman. A premissa é interessante e acompanha a lenda mexicana de La Llorona, uma linda mulher que por ciúme afogou os dois filhos após a traição do marido. Agora, ela vaga pelo mundo e chora eternamente capturando outras crianças para substituir as que matou.

Com direção de Michael Chaves, o mesmo que irá assumir o terceiro filme da franquia de sucesso criada por Wan, o longa decepciona àqueles que aguardam uma história conclusiva e roteiro redondo que vêm sendo comuns nesses novos títulos do gênero. Rechedo de jump scares clichês, o filme deixa Chorona (Marisol Ramirez), sua estrela, em segundo plano e parece preocupado apenas em fazer o público gritar a cada segundo.

A trama é ambientada em 1973 e segue Anna Garcia (Linda Cardellini), uma assistente social que cria sozinha os seus dois filhos depois da morte de seu marido. Ao investigar um possível caso de agressão de duas crianças, ela encontra semelhanças com a famosa lenda que se tornou popular no México. É quando a entidade descobre o paradeiro de seus filhos e, mesmo descrente de assuntos sobrenaturais, Anna passa a enfrentar o perigo para salvar as crianças.

Sem desenvolver seus personagens ou aprofundar melhor a história, o roteiro escrito por Mikki Daughtry e Tobias Iaconis - ambos responsáveis pelo romance teen A Cinco Passos De Você - traz argumentos rasos e deixa de lado conexões importantes que poderiam trazer sentido à trama. É uma salada de sustos, gritos e aparições que assustam mais pela falta de entendimento do que pela entidade malígna pulando na tela.

Para se ter ideia, pouco se sabe sobre o destino de Chorona. Sabemos, claro, que o crime praticado por ela no passado desencadeou sua condenação eterna, mas o aprofundamento da lenda é algo esquecido pelos roteiristas. Em outro furo no roteiro, a personagem mirim Samantha (Jaynee-Lynne Kinchen) entra em uma espécie de transe que só pode ser desfeito com a captura da entidade. Em menos de cinco minutos, a garota volta à realidade sem explicação alguma e aparece ao lado do irmão Chris (Roman Christou). Ué!

Cardellini, famosa pela série Freaks and Geeks e pelo vencedor do Oscar de 2019, Green Book - O Guia, desempenha bem o seu papel como uma mãe apavorada em salvar os filhos. No entanto, sua personagem é conduzida à repetição já que a maioria de suas cenas não são finalizadas como deveriam e as dezenas de aparições da Chorona que presencia nunca concluem o susto.

Rafael Olvera, curandeiro interpretado pelo ator Raymond Cruz, traz uma graça -literalmente - para a trama. O mexicano usa e abusa das piadas enquanto cria planos para derrotar o mal junto com a família Garcia. Famoso pela série Breaking Bad, Cruz é quem traz ao filme o verdadeiro significado da retratação de uma lenda mexicana ambientada na Los Angeles dos anos 70.

O melhor de tudo é que mesmo com a ajuda 'divina' de Olvera, são as crianças Samantha e Chris quem mais se empenham para espantar a Chorona de suas vidas. Com ótimas atuações, os atores estão focados e juntos formam uma boa dupla no combate contra o mal.

Infelizmente, em uma época em que o gênero vem se reinventando com boas histórias e tramas inteligentes, A Maldição Da Chorona cai em clichês preguiçosos se apegando aos populares sustos para prender o público até o final. Ainda que traga o envolvimento de grandes nomes do universo de Invocação Do Mal, ele não cumpre seu papel de ligação com os demais filmes da franquia e decepciona os que aguardavam a já conhecida qualidade dos anteriores.

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