Variante delta da covid-19 avança pelo estado de São Paulo e preocupa autoridades

Até 2 de agosto, foram identificados 25 casos da variante no estado. Confira a entrevista exclusiva com a dra. Solange Bricola, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie
Nas onze cidades que fazem parte do Cioeste, não há casos registrados da variante delta (Divulgação / Secom Barueri)

Sempre que um vírus começa a circular com grande velocidade, como é o caso do novo coronavírus (SARS-CoV-2), é natural que muitas variantes surjam, como explica a ciência. De acordo com informações do ministério da Saúde, "desde o surgimento do SARS-CoV-2, foram identificadas 1.536 variantes circulantes no mundo, por meio do sequenciamento do genoma viral; no Brasil, 30 diferentes linhagens foram identificadas circulando no estado de São Paulo."

Muitas dessas variantes não preocupam, entretanto, uma delas (a delta) já está mobilizando o mundo todo, além de fazer o número de casos de covid-19 subir novamente em diferentes países, mesmo com a vacinação acelerada (como nos Estados Unidos , Reino Unido e Israel, entre outros). 

Aqui no Brasil, até o dia 29 de julho, o ministério da Saúde havia identificado 169 pacientes com essa variante, e o número vem crescendo rapidamente. Análises do Instituto Adolfo Lutz e do CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica) identificaram 793 casos autóctones das quatro "variantes de atenção" no estado de São Paulo até 2 de agosto. Da delta são, ao todo, 25 casos de Delta (21 na capital, um em Santos, um em Guaratinguetá, um em Pindamonhangaba e um em Pirassununga). Felizmente, ainda não houve detecção de infectados nas onze cidades da região oeste da Grande São Paulo, que fazem parte do Cioeste. De acordo com a professora de farmácia clinica, hospitalar, Saúde Pública e Patologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, dra. Solange Bricola, "A variante delta do novo coronavírus SARSCOV-2, têm nos preocupado pela capacidade de infectar rapidamente as pessoas que conviverem com alguém contaminado (que possua o vírus), mesmo que vacinado, com proteção completa, e que esteja assintomático."

A boa notícia, entretanto, é que os estudos e os resultados na observação da cepa indicam maior rapidez na disseminação do contágio, mas não necessariamente maior agressividade na forma da doença, de acordo com a professora. Para não ser infectado pela nova variante, ela ainda recomenda a continuidade no uso de máscaras, distanciamento social e demais protocolos de higienização. 

Confira a entrevista exclusiva:

Giro S/A. A variante Delta do novo coronavírus preocupa a todos por sua velocidade no contágio, correto? Estaremos protegidos com vacinação e uso de medidas protetivas realmente?

Solange Bricola. A variante delta do novo coronavírus SARSCOV-2, têm nos preocupado pela capacidade de infectar rapidamente as pessoas que conviverem com alguém contaminado (que possua o vírus), mesmo que vacinado, com proteção completa, e que esteja assintomático.

Essa característica nos coloca fortemente alertas com relação às demais medidas de proteção, como higienização frequente das mãos e o uso de máscaras. Trata-se uma doença transmitida por aerossóis voláteis, perdigotos (transmissão pela fala e respiração próxima), de modo que não temos outra medida que nos assegure, senão a instituição de barreiras aéreas de contaminação e higienização das faces de contato.

G.S/A. A diferença dessa variante é apenas na velocidade da transmissão ou ela é mais letal também?

S.B. Os estudos e os resultados observacionais até o presente momento, apenas indicam maior rapidez na disseminação do contágio, mas não necessariamente maior agressividade na forma da doença, além de que estamos observando na nossa região, pela transmissão comunitária, que temos uma boa porcentagem da população já imunizada, demonstrando formas mais brandas de contração da doença, inferindo que a imunização confere relativa proteção.

G.S/A. A sra. acredita que a vacinação contra a covid-19 terá de ser feita anualmente para conter o vírus?

S.B. Com relação a evidência científica, estamos em fase de diferentes estudos para averiguar se será necessário ainda a terceira dose do imunizante e se o contágio, mesmo que de indivíduos vacinados, nos permita uma infecção leve, sem desdobramentos como hospitalização, ventilação mecânica e forma grave da doença.

As diferentes cepas poderão surgir ao longo do tempo em diferentes regiões, assim como acontece com o vírus influenza da gripe, de forma que as vacinas para os grupos de risco, a fim de evitar a forma grave da doença ( por ex: pneumonia), é anual, contemplando as novas cepas/variantes.

No entanto, vivemos tempos de mais incertezas do que afirmações taxativas, e a cada nova situação, estamos buscando respostas respaldadas nas evidências científicas.

G.S/A. Sobre as terceiras doses, ou doses de reforço, qual é a efetividade delas realmente? A sra. acredita que poderemos tomar essas doses ainda este ano no país?

S.B. Novamente nos encontramos em plena avaliação desse cenário e os estudos irão nos embasar com relação à efetividade de uma terceira dose, ou até mesmo no intercâmbio entre uma primeira dose de um imunizante a base de adenovírus e outra dose de outro imunizante à base de RNA mensageiro, por exemplo, ou uma combinação com um imunizante de vírus atenuado com outra dose de RNA mensageiro. Enfim, são especulações que trabalhadas com dados robustos e estatisticamente demonstrados, nos levarão a caminhos e diretrizes confiáveis.

G.S/A. Qual é o perigo (individual e coletivo) para quem deixa de tomar a segunda dose preconizada por várias vacinas?

S.B. Esse questionamento, infelizmente, em tempos de tantas posturas equivocadas se faz necessário. Eu respondo com outro questionamento: qual é a finalidade de se utilizar um imunizante? Promover a sensibilização do seu organismo, a fim de reconhecer o antígeno e produzir anticorpos de forma profilática, para reconhecer o mesmo em novas circunstâncias de contato.

Cada imunizante foi estudado e desenvolvido para atingir esse objetivo, e por essa razão, falamos de diferentes formas de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo). A efetividade desse imunizante se mostrará de acordo com a capacidade e o tempo necessários para estimular o organismo a produzir essa resposta imunológica e efetiva para tornar inócuo, ou de baixa ofensividade, o suposto contato com o vírus.

Portanto, quando fabricante determina esses tempos e frequência posológica, não é algo arbitrário , mas sim pautado em estudos que verificaram, in vitro, as possibilidades de respostas mais efetivas e seguras.

Mesmo procedendo de forma adequada e recomendada pelo fabricante, podemos observar intercorrências, mas a responsabilidade do cumprimento para atingir esse objetivo poderá expor a sociedade, se dentre as pessoas que circulam nos meios de transporte, nas universidades, escolas, trabalho, e etc estiverem suscetíveis às infecções e disseminarem o vírus por falta de proteção.

Atualmente, Israel, Reino Unido e EUA estão experimentando a contaminação pela variante delta e tendo que retroceder em relação ao uso de máscaras, distanciamento e demais protocolos de higienização, uma vez que o número de casos com a variante delta tem crescido exponencialmente.

A triste realidade é que eles dispõem dos imunizantes , mas não conseguiram aplicar em ao menos 70% da sua população. Informação segue como a grande arma contra o risco de doença!

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Sexta, 03 Dezembro 2021

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