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Podcast: trecho do Rio Tietê na região é o mais poluído da Grande São Paulo

As águas do Tietê trazem para a região dejetos, a maioria matéria orgânica dos banheiros das casas.

As cidades de Barueri, Osasco, Santana de Parnaíba e Pirapora do Bom Jesus são as mais afetadas pela poluição trazida pelo rio Tietê. A avaliação foi feita por dois especialistas ouvidos pela reportagem e confirma estudo da Fundação SOS Mata Atlântica, que revela um aumento da extensão poluída do maior rio do Estado.

Segundo Gustavo Veronesi, coordenador do projeto Observando os Rios, da SOS Mata Atlântica, as águas do Tietê trazem para a região dejetos, a maioria matéria orgânica dos banheiros das casas, produtos de limpeza e descartes tóxicos de indústrias, da região de Salesópolis, Guarulhos, ABC Paulista e zona Sul da capital São Paulo, por meio do Rio Pinheiros. "O rio é o destino da emissão de todos esses poluentes, incluindo da produção agrícola com o uso de agrotóxicos e ainda a poluição do ar que neste tempo seco, que desce para o rio em dias de chuva", afirma.

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Pirapora do Bom Jesus. Há registros de blocos de espuma causada pela emissão de detergente ao longo do rio. O estudo da Fundação SOS Mata Atlântica, lançado às vésperas do Dia do Tietê (22 de setembro), traz um alerta: o trecho morto do maior rio do estado alcançou a marca de 163 km em 2019, um aumento de 33,6% em relação ao ano anterior (122 km) e muito longe da menor mancha de poluição já registrada na série histórica do levantamento, de 71 km em 2014.

Acesse o estudo na íntegra

O estudo indica que a condição ambiental do rio Tietê está imprópria para o uso, com a qualidade de água ruim ou péssima em 28,3% (os 163 km) da extensão monitorada, que totaliza 576 km – de Salesópolis, na sua nascente, até a jusante da eclusa de Barra Bonita, na hidrovia Tietê-Paraná. O Tietê, maior rio paulista, corta o estado de São Paulo por 1.100 km, desde sua nascente até a foz no rio Paraná, no município de Itapura.

Nos demais 413 km monitorados (71,7%), o rio apresentou qualidade de água regular e boa, condição que permite o uso da água para abastecimento público, irrigação para produção de alimentos, pesca, atividades de lazer, turismo, navegação e geração de energia. Já o impacto positivo dos investimentos em coleta e tratamento de esgotos nos municípios da bacia ficam evidentes por meio da redução do trecho com condição de água péssima – contido neste ciclo de monitoramento a 18 km, entre o Cebolão, no encontro dos rios Tietê e Pinheiros, até Barueri.

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