Sidebar Menu

Acidentes de trânsito chamam atenção para seguro e proteção veicular

​Podcast: ouças as entrevistas feitas com quatro especialistas no assunto.

Praticamente todos os dias da semana o noticiário de cotidiano traz casos de acidentes de trânsito em rodovias ou dentro do perímetro urbano das cidades. Nos últimos dias, o Giro S/A publicou em seu site matérias sobre engavetamento de veículos e queda de betoneira de um caminhão de cimento na rodovia Raposo Tavares, em Cotia, e colisão de carros e motos em Osasco, com uma pessoa morta e outras gravemente feridas. Em torno dessas ocorrências, a maioria das pessoas desconhece um fator importante que só é notado quando realmente é necessário: a cobertura de seguro. 

Após um acidente, as pessoas passam a tratar da parte prática do caso e neste momento o que seria simples passa a ser tornar um segundo problema, já que é preciso acionar a seguradora. Mas afinal de contas foi contratado um seguro de veículo ou uma proteção veicular?

Essa semana a reportagem entrevistou quatro especialistas deste mercado para tentar esclarecer para as pessoas quais os cuidados ou informações que precisam estar claras na hora de contratar um seguro ou proteção veicular.

O primeiro a falar sobre o assunto é Bernard Biolcbini, CEO do Grupo Pentagonal Seguros, com experiência internacional em seguros e autor de comparativo desse mercado nos Estados Unidos, Europa e Brasil. Para ele, o mercado se adaptou e uma parte do público que foi barrado pelas seguradoras por contas das exigências para adesão ao serviço. "Cooperativas de proteção veicular foram simplesmente uma adaptação de mercado como muitas que vemos hoje em dia, citando apenas uma, o Uber", afirma. Ele destaca que a questão em torno das duas formas de cobertura é "muito controversa, mas muito mais simples do que o mercado considera, são questões complementares, uma não anula a outra".

Segundo ele, existem empresas de proteção veicular com estruturas extremamente sólidas e existem empresas do mesmo setor que comprometem a confiança do consumidor.

Quem também faz uma avaliação das duas opções é Leandro Ramos, presidente da Associação Protetora de Veículos Automotores (Proauto). "A exemplo dos consórcios, que passaram a ter legislação específica, as associações de proteção veicular estão caminhando para isso. É preciso regulamentar, no Brasil estima-se que mais de cinco milhões de pessoas participam da modalidade proteção veicular, o que, por si só, abre mais os debates para que regras sejam criadas".

Ramos destaca a importância da clareza sobre a aquisição da proteção veicular, que oferece coberturas e modelo diferente do seguro tradicional. "Na Proauto, uma cartilha está sendo criada para orientar a sociedade sobre o que é proteção veicular e os cuidados na hora da contratação. Deixamos muito claro para os nossos associados que proteção veicular não é seguro", completa. Ele afirma que a procura pela proteção veicular é reflexo da rejeição pelas seguradas de novos clientes que apresentam diferentes tipos de restrições no CPF e endereço, por exemplo.

O presidente do Clube dos Corretores de Seguros de Osasco, Ednir Fornazzari, explica a diferença entre seguro e proteção veicular. "Quando analisamos as duas situações em relação ao comparativo entre o seguro e a proteção veicular, é nítido perceber que o seguro feito através de um corretor de seguros possui mais garantias, devido a existir um órgão regulador que fiscaliza as atividades das seguradoras, que é a Susep. A Proteção Veicular funciona como uma espécie de rateio entre os associados, com a condição de todos dividirem as despesas em caso de sinistro de um associado", afirma.

Já o presidente do Sincor-SP (sindicato patronal de profissionais de seguros), Alexandre Camillo, alerta sobre ofertas de empresas que em muitos casos não são estabelecidas formalmente ou sem reserva financeira para cumprir com as coberturas de proteção oferecidas ao consumidor. "Não somos contra o desenvolvimento de nenhum mercado, mas infelizmente o Brasil ainda tem essas zonas de impunidade sem cumprir o regramento da lei", finaliza.

RAIO-X
Entenda as diferenças entre seguro e proteção veicular

SEGURO
As seguradoras são regulamentadas e estão sujeitas às normas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). Isso é o que protege os clientes e fornece garantias legais.

PROTEÇÃO VEICULAR
A proteção veicular não conta com uma regulamentação. Uma vez que esse serviço é fornecido por associações, as únicas instituições que regem e definem a legalidade das operações são o Código Civil Brasileiro e a Organização de Cooperativas Brasileiras (OCB). Tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei Projeto de Lei 3139/15, que regulariza a atuação das cooperativas de proteção veicular, criadas como uma alternativa aos altos custos dos seguros tradicionais.

O novo setor também será fiscalizado pela Susep. Em julho desse ano, a Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região confirmou a decisão das instâncias inferiores de suspender a venda de contratos de seguro por sete associações de proteção veicular. As entidades não tinham autorização da Susep para comercializar as apólices de seguro, além de não cumprirem a legislação do setor.

Veja mais notícias sobre Metrópole.