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Penna Seixas: o morador de Itapevi que respira Raul Seixas 24h por dia

Músico, ator e compositor, Penna era vizinho do avô de Raul Seixas. Conviveu com o artista por anos. Coleciona itens que pertenceram ao cantor que marcou época na história rock nacional
"Toca Raul!", uma expressão sempre presente em sua vida (Reprodução/Facebook)

Nascido na Bahia, Penna Seixas tem 57 anos. Destes, 31 foram dedicados a Raul Seixas, lenda do rock nacional morto em 1989. O entrevistado pelo Giro tem uma trajetória que, por diversas vezes, se cruza com a de seu ídolo. Penna era vizinho do avô de Raul Seixas. Conviveu com o artista por anos. Coleciona itens que pertenceram a Raul ou eram relacionados a ele, o que inclui até nota fiscal do caixão. É, para muitos, seu real representante.

Músico, ator e compositor, Penna Seixas (nascido Isac Leal) respira Raul Seixas 24h por dia. Terminou diversos relacionamentos por isso, inclusive com a mãe de um de seus filhos, já que ela não concordava com o nome da criança. Penna bateu o pé: o menino deveria ter o nome de seu ídolo. O Raul Seixas, filho de Penna, é militar, gosta do artista homônimo e pode, quem sabe, continuar a tradição. "Se ele tiver filho homem, será Raul Seixas Filho", diverte-se Penna.

O COMEÇO
"Conheci o Raul e a banda 'Os Panteras' na Bahia, quando eu era criança. Eu morava quatro casas antes de onde morava o avô dele. Eu o conheci como Raulzito, que era neto do seu Raul. Vim me reencontrar com ele em São Paulo, em 1982", conta. Na ocasião, Raul estava fazendo um show no Palmeiras e Penna foi participar. Só que Raul não se lembrava mais dele. Bastou uma brincadeira antiga com o segurança para o artista reconhecê-lo. "Naquela época, eu tinha uma loja de discos na Galeria do Rock e ela ganhou o nome de Raul Mania, com autorização dele, claro", narra. A loja continha diversos itens que pertenceram a Raul, e que hoje estão na casa de Penna. "Tenho um violão que era do Raul, tenho camiseta, disco autografado, xerox de RG, certificado do caixão...", enumera.

DE FÃ A ARTISTA
Até então, Penna era somente um grande fã que brincava de cantar Raul. Foi após sofrer um grave acidente que tudo mudou. "Depois de sofrer o acidente, tive um estalo e decidi viver de música. Tinha muitas cicatrizes no rosto, então deixei a barba crescer. Fui a uma pizzaria no Capão Redondo, onde morava. Estava de óculos escuros, pois tinha operado a vista. Então, alguém falou que eu parecia Raul e pediram: 'toca Raul'", lembra.

O MEIO
Caracterizado como seu ídolo, Penna roda o Brasil fazendo shows, dando entrevistas e participando de comerciais, séries e documentários. Um deles foi o filme "Raul – o fim, o início e o meio", dirigido por Walter Carvalho (autor de "Central do Brasil" e de outros sucessos) e disponível na Netflix.

Penna posa com sua coleção de itens, que inclui a guitarra vermelha banhada a ouro que está na capa do álbum “Gita” (Divulgação)

ITAPEVI
O primeiro contato que Penna Seixas teve com Itapevi foi por meio da mãe de seu filho, o Raul Seixas. "Toda vez que eu vinha para Itapevi eu não vinha sozinho, eu tinha medo", relata. Ele mora no bairro de São João Novo há 17 anos, em um terreno que foi trocado por uma kombi. "Um amigo tinha um terreno, ofereci a kombi e ele aceitou a troca", conta. Penna afirma que Itapevi mudou muito. "Quem veio a Itapevi há seis anos e vem agora nem acredita que é a mesma cidade", diz. O artista afirma adorar a cidade e seu povo, mas revela algo inesperado: "É a única cidade em que nunca toquei! Acho que o pessoal da secretaria de cultura não gosta de Raul Seixas", supõe.

PANDEMIA
O setor cultural é um dos que mais sofrem com a pandemia. Penna está sentindo na pele. Além de não ser possível fazer shows, os planos foram por água abaixo. "Tenho um projeto de um musical que deveria ser lançado em breve. Já tem o piloto. Chama 'Ressurreição de Raul', e eu chego dentro de um caixão e o pessoal começa a cantar 'Toca Raul', e eu saio do caixão cantando... Ia fazer o espetáculo em Barueri, mas a pandemia impediu", conta. Ele relata que seus recursos estão vindo de direitos autorais do filme na Netflix e de projetos não relacionados à música, já que não se adaptou às transmissões online ao vivo, as lives.

FUTURO
Mas a cabeça está fervilhando de novos projetos. Penna tem shows marcados para junho e setembro, e espera que a situação melhore para poder se apresentar. "Minha vida sempre vai ser Raul e acho que vou embora assim", conclui. 

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