Sidebar Menu

Municípios da região não terão vacina antirrábica gratuita para animais de estimação

Cotia aguarda instrução do Estado para campanha e Barueri já recebeu 8 mil animais silvestres

"Eu tenho seis cachorros e não terá a campanha!", afirma, surpreso, o dog walker Felipe Nascimento Rodrigues. O passeador de cães refere-se à vacinação antirrábica, que ocorre geralmente em agosto. A entrega das doses aos estados está atrasada devido a problemas na produção da vacina. Em São Paulo, há quantidade devido à vacinação de rotina. Porém, nas cidades da região Oeste, sem estoques, não há campanha.

Opção para donos de animais é recorrer à vacinação em clínicas particulares (Foto: Edivaldo Santana/Giro S/A)

Em nota à Prefeitura de Barueri, o Ministério da Saúde informou que as doses de vacinas serão enviadas após novembro. Na campanha de 2018, 18.649 cães e 4.904 gatos foram vacinados gratuitamente e no seu prolongamento (agosto a dezembro de 2018). 

"As campanhas são a principal estratégia de controle da raiva de cães e gatos. Como a variante viral canina (mais perigosa) está controlada no Estado, o risco de disseminação da doença é menor com uma eventual variante viral de morcegos. Mesmo assim, é importante vacinar para que a doença, provocada por qualquer variante viral, não atinja o ser humano, provocando mortes", afirma Daniel Aspis, médico veterinário do Departamento Técnico de Controle de Zoonoses de Barueri/Covisa/SMS.

Cotia aguarda instrução normativa do governo do Estado para campanha. Em 2018 foram vacinados 26.962 cães e 9.675 gatos. Osasco e Santana de Parnaíba também não farão campanhas.

Particular

Vacinar em clínicas particulares, pagando de R$ 40 a R$ 150, é uma alternativa. "A maioria da população vacina pelas campanhas públicas. Isso pode causar grande impacto na saúde pública, já que tivemos alguns casos de raiva no interior de São Paulo e temos muitos animais errantes", ressalta a médica veterinária Maria Fernanda Lascane Sibov, do Vetcão Hospital Veterinário, instalado em Barueri.

Doença é agressiva

A raiva é considerada grave e letal em quase 100% dos casos de contaminação. "Após o contágio, a doença é muito agressiva. O vírus da raiva ataca o sistema nervoso central e provoca inflamação no encéfalo, levando ao óbito", afirma Dr. Ítalo de Oliveira, médico do Centro Veterinário Seres do Grupo Petz.

A doença pode afetar grande parte dos mamíferos, inclusive humanos. Pode ser transmitida pela saliva em lambidas de ferimentos e mordidas. O animal contaminado pode apresentar vários sintomas: alterações comportamentais, salivação, agressividade, convulsões e coma seguido de óbito. O vírus pode acometer outros animais como coelhos, cavalos, porcos, bois e morcegos.

A loja Petz lança no final de semana a campanha de vacinação contra a raiva, que prevê reforço da vacina para prevenção da doença. O custo é de R$ 40 por dose.


Barueri recebeu 8 mil animais

Na quarta-feira (7), 168 jabutis e oito iguanas, vítimas do tráfico de animais silvestres e de posse ilegal, foram repatriados para Vitória da Conquista (BA).

A ação foi realizada pelo Cetas Barueri (Centro de Triagem de Animais Silvestres), que atende animais silvestres provenientes de apreensão, entrega voluntária ou maus tratos no município e em outras cidades da região. "O Cetas já recebeu cerca de 8 mil animais", afirma Bidu, secretário de Recursos Naturais e Meio Ambiente.

O centro já teve onça e pinguim. Os animais são avaliados, identificados por microchipagem e passam por reabilitação que os preparam para o seu habitat de origem. "A soltura na região prejudicaria o ecossistema", destaca Erika Sayuri Kaihara, bióloga e gestora do Cetas Barueri.

Outras cidades

Em Osasco, o projeto para um Cetas no Parque Chico Mendes está quase concluído. "A prefeitura abrirá um processo de licitação para a construção das unidades e outro para a gestão em parceria com a administração pública", explica Fábio Cardoso, diretor do Departamento de Fauna e Bem-Estar Animal. Denúncias podem ser feitas pelo telefone 156.


Em Cotia, os crimes ambientais podem ser denunciados pelo 0800 878 1100. Em Barueri: 4689-0314 (Cetas) e 4789-0905 (Polícia Ambiental).(HR)

Veja mais notícias sobre Metrópole.